Fibras Artificiais


Introdução



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O mercado das fibras têxteis encontra-se dividido pelas fibras naturais e químicas. As naturais apresentam-se subdivididas nas fibras animais, vegetais e minerais, enquanto que as químicas estão discriminadas em artificiais e sintéticas.

Este conteúdo foca-se nas fibras químicas artificiais e visa a exploração destas fibras no sentido de perceber a sua origem e evolução no mercado, o processo de fabricação, as características físicas e químicas, a integração no mercado actual e quais as perspectivas futuras.

Neste sentido, as fibras a abordar serão a Viscose, o Liocel, a Modal, o Acetato, o Triacetato, o Cupro, o Bambu e o Alginato, estas de origem celulósicas, e a fibra proteica de soja e a Ingeo, ambas geradas a partir de proteínas. Para além destas, ainda serão referenciadas duas outras fibras celulósicas que surgem recentemente no mercado - a Seacell Active e a Lenpur.

De modo a compreender a sua evolução no mercado, para além de uma abordagem em termos absolutos, também se encontrará, ao longo do trabalho, o desempenho do mercado das fibras artificiais comparativamente às outras fibras têxteis, principalmente as fibras químicas sintéticas, as grandes líderes do mercado de fibras têxteis.

De um modo geral, pretende-se uma abordagem global do mercado e particular de cada fibra artificial, de modo a perceber os aspectos acima relegados.


FIBRAS QUÍMICAS ARTIFICIAIS


As fibras químicas artificiais provêem da transformação de substâncias macromoleculares naturais ou da sua solubilidade através da acção de agentes químicos.

Estas fibras podem ser derivadas, por um lado, da celulose de várias plantas (árvores, algodão, algas,etc) ou, por outro, de proteínas de animais.

O processo de produção de fibras artificiais celulósicas consiste, essencialmente, na regeneração desta numa solução da celulose com agentes químicos, que varia entre o pH ácido e o alcalino. Já as de origem proteica passam por um processo mais complexo, que implica a adição de uma enzima.

Os primeiros registos sobre a fabricação de fibras têxteis artificiais foram efectuados pelo inglês Robert Hooke, em Londres, 1665, e foi Renee-Antoine de Réaumur que tentou por esta teoria em prática, em 1734, mas o resultado não foi o esperado. Portanto, a descoberta sobre a fabricação destas fibras deve-se ao químico Christian Friedrich Schönbein, quando, em 1846, conseguiu obter filamentos colocando o algodão num banho de ácido nítrico e clorídrico. No entanto, as fibras desta forma geradas, eram altamente inflamáveis.

Mais tarde, em 1855, George Audemars concebe um processo de extracção da celulose das árvores, equivalente ao usado para retirar a seda produzida pelo bicho-da-seda. Em sequência deste processo, Joseph Swan produz fibras através da inserção da celulose em orifícios muito finos. O seu principal objectivo era criar filamentos para lâmpadas, mas descobriu que podia produzir fibras têxteis através deste processo, reduzindo o seu carácter inflamável. Apresenta um tecido fabricado com estas fibras em Londres, em 1885, mas não consegue atracção por parte do público.

Utilizando o processo descoberto por Swan, o químico conde Hilaire de Chardonnet, em 1889, confecciona o primeiro tecido para fins comerciais, então designado por seda artificial ou Raiom.

Novos processos são descobertos e começam a aparecer novas fibras artificiais celulósicas. A Viscose e o Triacetato, ainda em finais do século XIX, e as fibras de Acetato, Liocel, Modal, Alginato e Cupro, já no século XX, apesar de o processo de fabricação desta última datar de meados do século XIX, na mesma altura que a Viscose. Todas estas fibras têm, como base, o mesmo processo de fabricação que o Raiom, com diferença apenas nos solventes utilizados e nas fases de processo.

De modo a evitar fraudes comerciais, em 8 de Julho de 1934 foi estipulado, por um decreto-lei sob o tema Seda e designado por Seda Artificial, que Raiom seria o termo para designar a Viscose produzida em filamento contínuo e que Viscose designaria a fibra produzida em filamento cortado.

A produção mundial de seda artificial subiu de forma explosiva desde a segunda metade do século XX, atingindo as 460.000 toneladas em 1936. Destas 460.000 toneladas, O Japão era responsável por cerca de 135.000 e os Estados Unidos por 125.000, sendo estes dois maiores produtores de seda artificial. Atrás do Japão e Estados Unidos, estava o Reino Unido com 58.000 toneladas, a Itália com 50.000 e a França com 30.000.

Apesar de descoberta em finais do século XIX, a produção de Viscose para fins comerciais revela-se em 1906, investida pelas empresas Société de la Viscose e American Viscose Company e, em 1910, pela Samuel Courtaulds and Co., Lda. Contudo, ganha destaque apenas nos anos 30.

Já o Acetato aparece em 1905, sendo produzido em escala comercial primeiramente na Alemanha e ascende no mercado durante a primeira guerra mundial, devido à sua superior qualidade relativamente à Viscose. Mais tarde, em 1924, também os Estados Unidos investem na produção desta fibra.

Nos anos 50, a firma alemã Bemberg implementa o Cupro no mercado, sendo ainda a protagonista da produção desta fibra.

O Liocel também aparece nessa altura, tendo sido produzido primeiramente, também pela Samuel Courtaulds and Co., Lda.

A fibra proteica aparece bem mais recentemente, em finais dos anos 90.

O mercado de fibras químicas é caracterizado por um número reduzido de empresas que investem neste tipo de fibras, isto porque existem várias barreiras impeditivas a que um maior número de empresas entre no mercado de fibras químicas. O elevado investimento de capital e de nível de conhecimento técnico, as despesas relacionadas com a pesquisa e o desenvolvimento de produtos, a natureza altamente competitiva da indústria e a pequena margem de lucro nos produtos convencionais são algumas das razões para que as empresas não investam neste tipo de fibras.

Situada em Heiligenkreus, Austria, a Lenzing Fibers é, actualmente, a líder mundial da produção de Viscose, Liocel e Modal, com uma produção anual de 245.000 toneladas/ano, sendo 50.000 toneladas destinadas ao TENCEL®, 40.000 ao MODAL® e os restantes dedicados à VISCOSE® e vertentes destas fibras e Cupro (em menor escala), com um investimento total de 160 milhões de euros. Prevê-se que, para este ano, sejam produzidas 220.000 toneladas de fibras. É também apresentada com melhores perspectivas futuras, por conseguir produzir fibras através de processos bastante sustentáveis e ecológicos, num período em que as preocupações ambientais têm sido cada vez mais relevantes.

No entanto, com uma produção anual de 1.5 milhões de toneladas/ano, a China domina o mercado da Viscose. Á China, seguem-se a Índia e a Indonésia, com valores compreendidos entre os 300.000 e 350.000 toneladas/ano.

As fibras artificiais, segundo dados fornecidos pelo ITMF - Internacional Textile Manufactures Federation - passam a dominar o mercado têxtil face às fibras sintéticas no período entre 1945 e meados dos anos 60. No entanto, devido à ascensão das fibras sintéticas no mercado e à estagnação da exploração de fibras artificias a partir dos anos 80, os dados invertem-se.

Actualmente, o mercado mundial de fibras têxteis é dividido quase de forma equitativa entre as fibras químicas e as fibras naturais, sendo que as fibras sintéticas obtêm uma participação de 45% no mercado têxtil, relegando as fibras artificiais para uma percentagem de 5%.

Espera-se, para 2010, uma produção mundial de fibras químicas correspondente a 2,9 milhões de toneladas, sendo 11% destinados à Viscose.

Mesmo assim, factores relevam a futura queda do mercado das fibras sintéticas relativamente às fibras artificiais. Isto porque, aquando da fabricação de fibras sintéticas, são utilizados recursos não renováveis, como o petróleo e alguns óleos, ao contrário das fibras artificiais, principalmente de origem celulósica, uma vez que a celulose é o composto orgânico mais comum no mundo e que se encontra em constante renovação. Já para não falar do impacto ecológico que, no caso das fibras artificiais, é quase nulo e ainda se esperam melhoramentos nessa matéria.

As fibras naturais também se encontram em desvantagem competitiva face às fibras artificiais. No caso do algodão, os custos ambientais são enormes, devido à poluição da água, contaminação do solo e à emissão de gases de efeito estufa decorrentes do uso de químicos. O que não acontece no caso das fibras artificiais.

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